(heldersilva@vitoriadaconquistaemfoco.com)
Nestor, sereno, caminhava para seu trabalho. De repente, devido a um desnível na calçada, perdeu o equilíbrio e caiu. Acabou molhando o rosto numa poça d’água.
- Ah, é claro! Não chove há dias e só porque eu caí aqui hoje, tem que aparecer água. Mas que... – Já ia pronunciar algumas palavras de baixo calão quando viu lá na poça um trevo. Não ligaria nem um pouco pra isso, mas o tal trevo tinha quatro folhas. Ele não acreditava nessas histórias de sorte ou azar em objetos, mas por via das dúvidas, guardou a planta simpática no bolso.
Levantou-se com elegância para mostrar que estava no domínio da situação e continuou seu trajeto. Parou no ponto de ônibus. Sentou-se no banco para esperar o transporte, mas passados poucos segundo apareceu uma senhora de idade. “É impressionante, quando eu me sento em locais públicos brotam idosos do chão”, pensou Nestor. Ele cedeu a ela lugar com um sorriso no rosto.
A senhora de bochechas rosadas e de rosto bondoso aceitou o gesto e começou a tecer elogios sobre o bom moço que tinha lhe cedido o lugar: educado, simpático e “pão” foram alguns deles. Nestor, que mesmo não sendo tão branco, conseguiu ficar vermelho como a gravata que usava. As pessoas que estavam no ponto não disfarçaram e deram boas risadas.
Finalmente, pensou ele, quando o ônibus apareceu. Entrou no transporte, escapando das investidas da velhinha. Aos poucos foi voltando a sua cor normal. Passou pela catraca, colocou a mão no bolso e percebeu que seu bilhete eletrônico não estava lá. Desesperou-se mais ainda ao olhar para o rosto do cobrador que tinha um olhar de “não tenho o dia todo!”. Pensou rápido e pagou a passagem em dinheiro mesmo.
Sem olhar, sentou-se num lugar qualquer. Fechou os olhos, respirou fundo. Abriu novamente os olhos e teve a primeira boa visão do dia: uma mulher linda. Cabelo cacheado, olhos azuis, lembrava muito a Ana Paula Arósio. Ele sorriu sem esperança, por achar muita areia pro seu caminhãozinho, mas ela devolveu o sorriso mais incrível que ele não viu desde que se conhece por gente. Ela foi além, para surpresa de Nestor e começou a conversa:
- Oi.
– Oi... – Respondeu Nestor meio enfeitiçado.
- Tudo bom?
- Tudo sim. E você?
- Mais ou menos. Uns probleminhas. Precisava de um ombro amigo.
- Bem, nós temos 30 minutos de viagem e o todo tempo que você quiser me presentear com sua incrível companhia. – Nestor ficou orgulhoso de si mesmo com essa colocação digna de um Oscar.
Ela soltou mais um sorriso daqueles. E disse:
- Sorte minha...
(Passaram-se 30 minutos de conversa tão melosa que vou poupar-lhes do ataque de diabetes).
No fim da viagem ele desceu do ônibus com o número do celular da moça. Lembrou-se do trevo, que ele pensou que estava trazendo só azar e pôs a mão no bolso para beijá-lo, quando...
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