quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Trevos e Afins - Parte Final

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Por Helder Silva
(heldersilva@vitoriadaconquistaemfoco.com)

...Quando deu por falta de sua carteira. É, parece que a moça bonita além de bonita era muito esperta. Enquanto ele ficava distraído com a conversa no melhor estilo “Professor Girafales e Dona Florinda”, ela surrupiava o objeto. Uma raiva intensa se apropriou de Nestor naquele momento. Quase mecanicamente ele pegou seu celular e discou o número que ela havia lhe entregue. Alguém atendeu do outro lado da linha:

- 'Chat-chat-chat line', bate-papo via telefone. Bom dia.

Nestor não respondeu, só desligou o telefone. Pegou o trevo e o fez em mil pedaços. As pessoas na rua olhavam assustadas, mas ele nem se importou. Entrou visivelmente contrariado no prédio em que trabalhava. Os colegas desejavam bom dia, mas não escutavam nada dele.

- Você está bem, Ne? – Perguntou uma colega mais próxima.
- Sim. – Disse ele de forma seca.
- Está bem... Ah, chegou um pacote pra você.
- Depois eu olho.
- Está na dispensa ao lado.
- Ok.

Ele direcionou todas suas frustrações para o trabalho. Tinha que prestar contas a vários sócios, fazer relatórios, etc.

- A parte boa fica sempre para os estagiários... - Murmurava ele.

A manhã e a tarde passaram lentas, chatas. O dia ia de mal a pior. Quando terminou o expediente, Nestor se preparava para sair, quando sua colega o lembrou do pacote que estava na dispensa. Ele foi até lá e acendeu a luz. Viu uma caixa. Abriu. Na caixa estava um vaso com uma planta. Ele foi se aproximando e ficando aterrorizado ao perceber que se tratava de um trevo. Também de quatro folhas.

- Nãaaaaaaaaao!

Nestor acabava de acordar.

- Hm... Eu, hein. – Disse meio aliviado e assustado.

Tomou banho, escovou os dentes, vestiu-se. Tomou um café forte. Saiu de casa. Caminhava sereno para seu trabalho. De repente, devido a um desnível na calçada, perdeu o equilíbrio e caiu. Acabou molhando o rosto numa poça d’água.

- Ah, é claro! Não chove há dias e só porque eu caí aqui hoje, tem que aparecer água. Mas que... – Já ia pronunciar algumas palavras de baixo calão quando viu na poça um trevo. Ele não acreditava nessas histórias de sorte ou azar em objetos, mas por via das dúvidas, passou bem longe da tal planta.

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