Ricardo: Estamos em um momento maduro, por que mesmo que exista oposição ao governo é de forma natural e democrática. Nós temos na câmara de vereadores um grupo que tem exercido com tranquilidade o seu mandato, tanto na oposição quanto na situação. Isso tem dado um suporte interessante ao governo municipal, principalmente porque em 1997, no primeiro mandato de Guilherme, a grande dificuldade do governo em avançar nas políticas do munícipio, além da falta de recursos e a desestruturação pela qual passava a prefeitura, foi uma oposição muito ferrenha da câmara, que tinha interesses pessoais, com a intenção de combater o governo para “fazer não dar certo”. Hoje existe a crítica e o debate, e as relações, de certa forma, estão mais cordiais.
VCA em foco: Quais são as expectativas para a próxima eleição?
Ricardo: Nós temos uma eleição daqui a dois anos que vai mudar a configuração da política de Conquista. Como é uma eleição de dois turnos há a possibilidade de um candidato não ganhar no primeiro turno. Com isso, os partidos acabam se organizando para terem seus próprios candidatos, que é algo natural. Notamos que partidos como o PC do B e o próprio PV, que são partidos da base, estão discutindo com a sociedade a possibilidade de lançarem seus próprios candidatos, além de alguns nomes da oposição que estão se colocando. Dessa forma, acredito que seja uma eleição bastante diferente. No entanto, acredito na continuidade deste projeto porque cada vez mais esta gestão começa a se consolidar. Vemos isso nas ruas, temos muitos projetos em andamento, muitas obras, asfalto na periferia, muita coisa interessante, o projeto conquista digital, o aeroporto também que está com o projeto bem encaminhado. Então, a cidade está num momento muito positivo politicamente que tem refletido na questão econômica e social.
VCA em foco: A derrota da atual presidente nas eleições 2010 em Vitória da Conquista significa uma mudança de postura dos conquistenses depois de 20 anos ou uma insatisfação momentânea?
Ricardo: No primeiro turno a Marina foi muito bem votada em Conquista e algumas questões têm que ser pontuadas: ela era evangélica, nossa cidade tem um grande contingente de evangélicos; surgiu como uma terceira opção; as pessoas estavam buscando alguma coisa nova e viram na Marina uma perspectiva de futuro. Acho que quem votou nela não acreditava que ela poderia ser eleita, mas votaram uns por ideologia, outros pela questão religiosa. Naquele momento houve uma disseminação muito grande de boatos contra a candidata Dilma e isso afetou bastante, no segundo turno houve uma tentativa de se esclarecer, mas não houve tempo hábil para isso. O governo municipal talvez tenha tido uma influência neste momento, o período eleitoral é muito conturbado por que os convênios e projetos param. E agora passado as eleições nós observamos um aumento da popularidade do prefeito. A questão pontual do momento acaba afetando, por que a nossa democracia ainda não consegue fazer com que as pessoas pensem a longo prazo, mas momentaneamente.
VCA em foco: O PV se mostrou nas últimas eleições uma nova via diante da política tradicional, inclusive obtendo expressiva votação. Nas próximas eleições haverá pelo diretório municipal uma tomada de posição parecida?
Ricardo: Eu acredito que a candidatura da Marina foi positiva, mas o Partido Verde, apesar de ter uma ideologia muito bonita, não se portou como um partido preparado tanto pra assumir o poder como apresentar uma candidatura com maior força. O PV tem uma crise interna muito forte a nível nacional e aqui na Bahia isso também acaba acontecendo, refletindo na sociedade. Durante o processo eleitoral vimos isso escancarado na mídia, as disputas internas, as discordâncias, as acusações. Então, não houve uma união porque o PV não tem essa unidade. Os interesses das pessoas que estão no PV divergem, acredito que o número de ambientalistas que defendem realmente a proposta do partido é a minoria, a maior parte tem outros interesses. E por isso o PV mostrou a sua fragilidade, e do meu ponto de vista isso dificulta em afirmar que o PV é uma alternativa de futuro. Não vejo outra alternativa de poder que não seja o PT e os partidos aliados, e que o PV também possa fazer parte disso, como um construtor e não uma alternativa independente.
VCA em foco: O meio ambiente é uma bandeira do PV, aliando desenvolvimento econômico à preservação ambiental. Como o Sr. vê essa discussão dentro do PT?
Ricardo: Eu não estou abandonando meus princípios de defesa do meio ambiente, mas apenas levei essa discussão para dentro de um partido que está tendo a responsabilidade de governar nosso município, estado e país. E eu acredito que a bandeira de aliar desenvolvimento econômico a preservação ambiental pode ser incorporada no PT, até porque já existe essa vertente com secretarias a nível estadual e nacional para cuidar disso.
VCA em foco: Como foi a decisão de se filiar ao PT? Quais são suas perspectivas dentro do novo partido?
Ricardo: O convite do PT veio de vários setores do partido, mas o que mais motivou essa decisão foi o de um grupo ligado aos movimentos sociais da Igreja Católica, que são pessoas muito próximas a mim. Inclusive eu estando no PV e sendo candidato pelo PV foram pessoas que me ajudaram nessa campanha, pois a relação extrapola a questão partidária. Eu deixei o Partido Verde e ainda ia pensar sobre a possibilidade de filiação a outra sigla, mas o processo se acelerou por conta dessas pessoas que estão militando dentro do PT há mais de 20 anos e que me fizeram o convite de forma mais forte. Resolvi aceitar para poder compor esse grupo que tem objetivos claros dentro do PT, como resgatar algumas bandeiras ideológicas que foram perdidas com o tempo. Acredito que posso desempenhar um papel interessante e em 2012 pode até ser um papel eletivo, mas isso vai depender muito desse grupo, que teria que me dar um suporte. Então, prefiro cumprir minha tarefa como vice-prefeito e deixar esse debate de 2012 um pouco mais pra frente.
VCA em foco: Ricardo, deixe o seu recado para a população conquistense.
Ricardo: Gostaria de dizer que me coloco a disposição aqui na prefeitura e tenho o dever de ajudar o prefeito na execução dos projetos. Estou à inteira disposição da população nestes dois anos que faltam e meu objetivo maior é desempenhar bem esse papel.
Um comentário:
Se os valores democráticos não são assumidos nas ações individuais e na relação política horizontal, a democracia está necessariamente incompleta. Por outro lado, é neste campo que a democracia pode oferecer ligações importantes (e ainda, aparentemente, inexploradas) com a educação, entendida como prática que está localizada na mesma esfera de interações sociais. Por estas razões, é importante entender a educação para a cidadania muito mais como educação pela cidadania.É por isso que as práticas de educação para a cidadania têm que ser coerentes com os objetivos a que se propõem – e isso significa que elas devem constituir um ação política em aberto.O que está implicado nesta opção de educar para a cidadania? Na tradição liberal as pessoas agem de forma individualista para defender interesses privados e é este o tipo de ação política esperada nesse quadro. Mas como as pessoas não são indivíduos isolados, constituindo-se sempre como seres sociais, cuja existência está inserida e profundamente enraizada nas relações intricadas do dia-a-dia, os posicionamentos individualistas afetam e condicionam obviamente o outro e, por extensão, tornam-se potencialmente causas de exclusão. Ser Humano é uma característica relacional,que é gerada na vivência social e nas formações sociais pelo que a ação humana é necessariamente entendida como social e, por essa razão, a democracia requer que as pessoas partilhem da consciência de que a cooperação é necessária para tomar decisões e gerar as condições de vida apropriadas para todos. Esta consciência e a sua aplicação nas ações sociais é muitas vezes referida como colegialidade. Isso significa que, estar inserida como EDUCADORA em Projetos Políticos Sociais com gestores que fazem valer esses princípios, fazem de mim uma MODIFICADORA em Potencial no Processo da Inclusão Social, tão necessário a todas as esferas da ATUAL EDUCAÇÃO CIDADÃ.
Ricardo Marques é mais que um GESTOR POLÍTICO. É alguém que acredita que, a EDUCAÇÃO é o melhor caminho para administrar com êxito os interesses de uma população.
Profª Lara Gomes Oliveira
EDUCADORA
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