quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Água de Caetité passa por análise de contaminação por radiação

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Correio da Bahia


O consumo de água de três poços de Caetité (BA) foi proibido, desde quinta-feira (21), pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ). Dois dos poços são de uso industrial, mas um deles abastece mais de 100 pessoas que vivem na zona rural da cidade. A suspensão foi determinada após a análise da água identificar radioatividade alfa e beta acima do permitido, realizada em dezembro de 2009, de acordo com a portaria 518/04 de potabilidade de água do Ministério da Saúde. O laudo que indica o produto que provoca a radiação será divulgado nesta sexta-feira (29).
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) informou que abastece a população da zona urbana com água potável e tratada, que não oferece qualquer risco à saúde humana.

Segundo o instituto, um outro laudo com avaliação detalhada da água dos poços da região deve ficar pronto em setembro deste ano. O estudo tem objetivo de indentificar se a contaminação foi natural ou provocada pela exploração de urânio na região. “Os resultados avaliam de forma precisa a qualidade das águas e quais são os elementos radioativos nas amostras coletadas”, disse o diretor geral do INGÁ, Julio Rocha.
Ele informou que os elementos presentes na água podem ser o urânio ou outros produtos que também emitem radiação, como o tório, proactíneo, rádio, radônio, bismuto, polônio e até chumbo, segundo informações do G1.
Segundo o instituto, a radiação alfa e beta provoca graves danos à saúde se inalada, ingerida ou em contato com a pele. De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia, o município de Caetité é a região do estado com a maior incidência de câncer e não há limites seguros de exposição ao urânio e os danos à saúde só podem ser constatados a longo prazo.
De acordo com o INGÁ, um dos poços usado para abastecimento humano fica no povoado de Barreiro. A Prefeitura Municipal de Caetité foi notificada a garantir o abastecimento alternativo de água para as famílias atingidas.
Urânio
Segundo as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a cidade de Caetité e Lagoa Real (BA) fazem parte das mais importantes províncias de produção de urânio do país. A região tem uma reserva estimada de 100.000 toneladas de urânio. Ainda de acordo com a INB, a quantidade é suficiente para o suprimento da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra 1, 2 e 3). A capacidade atual de produção é de 400 toneladas/ano de concentrado de urânio.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) começaram a fazer uma auditoria na INB nesta segunda-feira (25). O trabalho deve ser concluído na quarta-feira (3). Segundo a INB, a ação já estava agendada e não tem relação com a proibição do consumo e uso de água dos três poços de Caetité.
Monitoramento
Segundo o INGÁ, outros seis poços permanecem lacrados desde novembro de 2009 por conterem radioatividade. O consumo de água está proibido em Torneira do Chafariz público do povoado de Maniaçu e no Açude Cachoeirinha (de uso animal). As duas ficam em Caetité. A Caixa d’água da fazenda Paiol, próximo ao povoado de Lagoa de Timóteo, em Livramento de Nossa Senhora (BA), também está lacrada.
Em Lagoa Real, estão fechadas a Caixa d’água da fazenda Goiabeira, a margem da Lagoa Grande (de consumo animal) e a cacimba em frente ao colégio Dom Eliseu, no povoado de Lagoa Grande.
Outro lado
Em nota, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informaram que o poço de Barreiro, onde as águas apresentaram uma maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB. Pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega até lá.
Ainda segundo o documento, Caetité e municípios vizinhos compõem uma região que possui uma grande quantidade de urânio em seu solo e subsolo. Por essa razão, é sempre possível a ocorrência de urânio natural em suas águas, mas isso não significa risco radiológico para a população, de acordo com a INB.
A nota informou também que poços localizados próximos à reserva de urânio se encontram em aberturas das rochas, que são granitos impermeáveis. Nesses poços as águas se acumulam e não se comunicam. A pesquisa conclui que não existe nenhuma possibilidade de contaminação dos poços por material originado das operações da INB.

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