Correio da Bahia
O
consumo de água de três poços de Caetité (BA) foi proibido, desde
quinta-feira (21), pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ).
Dois dos poços são de uso industrial, mas um deles abastece mais de 100
pessoas que vivem na zona rural da cidade. A suspensão foi determinada
após a análise da água identificar radioatividade alfa e beta acima do
permitido, realizada em dezembro de 2009, de acordo com a portaria
518/04 de potabilidade de água do Ministério da Saúde. O laudo que
indica o produto que provoca a radiação será divulgado nesta
sexta-feira (29).
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) informou que
abastece a população da zona urbana com água potável e tratada, que não
oferece qualquer risco à saúde humana.
Segundo o instituto, um outro laudo com avaliação detalhada da água
dos poços da região deve ficar pronto em setembro deste ano. O estudo
tem objetivo de indentificar se a contaminação foi natural ou provocada
pela exploração de urânio na região. “Os resultados avaliam de forma
precisa a qualidade das águas e quais são os elementos radioativos nas
amostras coletadas”, disse o diretor geral do INGÁ, Julio Rocha.
Ele informou que os elementos presentes na água podem ser o urânio
ou outros produtos que também emitem radiação, como o tório,
proactíneo, rádio, radônio, bismuto, polônio e até chumbo, segundo
informações do G1.
Segundo o instituto, a radiação alfa e beta provoca graves danos à
saúde se inalada, ingerida ou em contato com a pele. De acordo com a
Secretaria de Saúde da Bahia, o município de Caetité é a região do
estado com a maior incidência de câncer e não há limites seguros de
exposição ao urânio e os danos à saúde só podem ser constatados a longo
prazo.
De acordo com o INGÁ, um dos poços usado para abastecimento humano
fica no povoado de Barreiro. A Prefeitura Municipal de Caetité foi
notificada a garantir o abastecimento alternativo de água para as
famílias atingidas.
Urânio
Segundo as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a cidade de Caetité e Lagoa Real (BA) fazem parte das mais importantes províncias de produção de urânio do país. A região tem uma reserva estimada de 100.000 toneladas de urânio. Ainda de acordo com a INB, a quantidade é suficiente para o suprimento da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra 1, 2 e 3). A capacidade atual de produção é de 400 toneladas/ano de concentrado de urânio.
Segundo as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a cidade de Caetité e Lagoa Real (BA) fazem parte das mais importantes províncias de produção de urânio do país. A região tem uma reserva estimada de 100.000 toneladas de urânio. Ainda de acordo com a INB, a quantidade é suficiente para o suprimento da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (Angra 1, 2 e 3). A capacidade atual de produção é de 400 toneladas/ano de concentrado de urânio.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da Organização das
Nações Unidas (ONU) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen)
começaram a fazer uma auditoria na INB nesta segunda-feira (25). O
trabalho deve ser concluído na quarta-feira (3). Segundo a INB, a ação
já estava agendada e não tem relação com a proibição do consumo e uso
de água dos três poços de Caetité.
Monitoramento
Segundo o INGÁ, outros seis poços permanecem lacrados desde novembro de 2009 por conterem radioatividade. O consumo de água está proibido em Torneira do Chafariz público do povoado de Maniaçu e no Açude Cachoeirinha (de uso animal). As duas ficam em Caetité. A Caixa d’água da fazenda Paiol, próximo ao povoado de Lagoa de Timóteo, em Livramento de Nossa Senhora (BA), também está lacrada.
Segundo o INGÁ, outros seis poços permanecem lacrados desde novembro de 2009 por conterem radioatividade. O consumo de água está proibido em Torneira do Chafariz público do povoado de Maniaçu e no Açude Cachoeirinha (de uso animal). As duas ficam em Caetité. A Caixa d’água da fazenda Paiol, próximo ao povoado de Lagoa de Timóteo, em Livramento de Nossa Senhora (BA), também está lacrada.
Em Lagoa Real, estão fechadas a Caixa d’água da fazenda Goiabeira, a
margem da Lagoa Grande (de consumo animal) e a cacimba em frente ao
colégio Dom Eliseu, no povoado de Lagoa Grande.
Outro lado
Em nota, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informaram que o poço de Barreiro, onde as águas apresentaram uma maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB. Pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega até lá.
Em nota, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informaram que o poço de Barreiro, onde as águas apresentaram uma maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB. Pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega até lá.
Ainda segundo o documento, Caetité e municípios vizinhos compõem uma
região que possui uma grande quantidade de urânio em seu solo e
subsolo. Por essa razão, é sempre possível a ocorrência de urânio
natural em suas águas, mas isso não significa risco radiológico para a
população, de acordo com a INB.
A nota informou também que poços localizados próximos à reserva de
urânio se encontram em aberturas das rochas, que são granitos
impermeáveis. Nesses poços as águas se acumulam e não se comunicam. A
pesquisa conclui que não existe nenhuma possibilidade de contaminação
dos poços por material originado das operações da INB.
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