segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Manifestantes e policiais entram em confronto em Goiás

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Revolta popular em Santo Antônio do Descoberto começou devido à cobrança por serviços públicos mais eficientes. Cinco moradores ficam feridos e quatro foram detidos.

Manifestantes e policiais entraram em confronto nesta segunda-feira (24), na cidade de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, perto de Brasília. Segundo os moradores, o protesto foi motivado pela falta de serviços básicos no município.
A fumaça podia ser vista de longe. Por volta de 5h, os moradores montaram uma barricada no acesso à cidade. Pneus, madeira e até um sofá alimentavam as chamas. Ninguém podia entrar ou sair.
“Não tem hospital, a saúde precária, asfalto não tem, é um buraco, está muito precária a cidade”, se queixa um manifestante.
“Nós estamos perdendo os empregos por causa dos ônibus. Os ônibus só vêm cheios”, reclama outro.


“ Eu pago meus impostos e não tenho serviço em dia”, lamenta uma senhora.
Santo Antônio do Descoberto, de 62 mil habitantes, fica em Goiás, região do entorno do Distrito Federal, a 45 quilômetros de Brasília. A BR-060 ficou congestionada e os carros fizeram fila no acostamento.
A polícia apenas acompanhava a manifestação, até que a tropa de choque chegou. A população reagiu jogando garrafas. Os policiais usaram balas de borracha e bombas de efeito moral.
Um policial deu um tapa em um homem de muletas, que sacou uma pistola. Uma batalha campal tomou conta da cidade.
O padre chamou a comunidade para a igreja: “Ninguém vai bater no meu povo não”, declarou.
O comércio fechou as portas, um ônibus foi incendiado e a Prefeitura e a Câmara de Vereadores tiveram os vidros quebrados.
No chão, cápsulas de balas de diferentes calibres. Em Goiânia, o secretário de Segurança Pública, João Furtado de Mendonça Neto, disse que vai apurar se houve abuso da polícia:
“Não defendo a ação do policial que parece ter sido exaltada e parece não ter sido adequada ao controle daquela manifestação”.
À tarde, os moradores ainda tentaram se reunir para fazer novas manifestações, mas o policiamento reforçado por toda cidade impediu os protestos. Moradores eram revistados a todo momento. A Prefeitura foi fechada e ninguém sabia informar o paradeiro do prefeito Davi Leite.
“O prefeito não se encontra, não tem ninguém. Está tudo trancado”, avisava o policial militar Osmar.
Quatro manifestantes foram detidos e pelo menos cinco se feriram com os tiros de borracha. Três PMs também ficaram feridos. O prefeito Davi Leite se encontrou com o governador de Goiás, Marconi Perillo, em Brasília. Ele reconheceu que a cidade enfrenta problema graves e disse que vai avaliar a situação junto com o governo do estado.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/01/manifestantes-e-policiais-entram-em-confronto-em-goias.html

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