sábado, 28 de novembro de 2009

Com US$ 123 bi investidos em Dubai, bancos torcem para que o pior não ocorra

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do Estadão

Exposição é principalmente de bancos europeus e revela o tamanho da preocupação com a moratória em Dubai

A moratória da dívida do Dubai World - um conglomerado estatal dos setores financeiro, portuário e imobiliário de Dubai - provocou uma onda de nervosismo no mercado financeiro internacional, com quedas nas bolsas da Ásia e dos Estados Unidos e um receio de que o fim da crise financeira global tenha sido decretado cedo demais. Ontem, enquanto governos tentavam acalmar os mercados, investidores faziam as contas do potencial de prejuízos com a crise em Dubai e do risco de um efeito cascata, com novas quedas de bolsa ou quebras de bancos e empresas.

O Dubai World, um dos três maiores conglomerados de Dubai, tem um passivo consolidado de US$ 60 bilhões. No dia 14 de dezembro, teria de pagar aos credores uma dívida em bônus de US$ 3,5 bilhões. A dívida total de Dubai chega a US$ 80 bilhões. Em 2008, o banco que fez um maior número de empréstimos a projetos nos Emirados Árabes Unidos foi o HSBC, com US$ 17 bilhões.

Dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais) mostram que os bancos estrangeiros têm US$ 123 bilhões em empréstimos em Dubai e nos demais Emirados Árabes Unidos. Os bancos europeus seriam, de longe, os mais afetados, com créditos aos Emirados de US$ 88 bilhões.

ESQUI NO DESERTO - Esses recursos eram destinados a financiar parte dos megaprojetos em Dubai, como construções de imóveis de luxo, ilhas artificiais, centros de alta tecnologia, parques temáticos, campos de golfe e até mesmo uma pista de esqui no deserto. O temor na Europa é que os problemas não sejam localizados no Dubai World. Em um regime fechado e com estatais com pouca transparência, as suspeitas agora são de que outros setores também estejam afetados.

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