quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Chávez e Ahmadinejad selam cooperação com acordos e discursos contra EUA

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Do ultimosegundo.ig.com.br
CARACAS - Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, estreitaram na última quarta-feira, em Caracas, uma relação que o governante anfitrião considerou "modelo", com novos acordos e discursos em defesa da cooperação e contra dos Estados Unidos.

Em um ato de assinatura de projetos de cooperação no Palácio de Miraflores, ambos os líderes qualificaram de "brincadeira" as "acusações de violência" contra eles, antes de afirmar que sua colaboração é para "construir vida" e denunciar a responsabilidade de Washington em conflitos e situações de crise no mundo.

AP

Ahmadinejad e Chávez aparecem de mãos dadas

"Na verdade parece uma brincadeira que acusem a nós de violência", manifestou Chávez, fazendo eco às palavras pronunciadas pouco antes por seu colega iraniano.
Ambos responderam ao porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, que disse que esperava que Caracas sublinhasse perante Ahmadinejad "as preocupações que tem a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, seu suposto apoio ao terrorismo e a situação dos direitos humanos".
O presidente iraniano disse que a verdadeira preocupação mundial é "o arsenal nuclear e químico" americano, assim como as reiteradas "ameaças de invasão militar", em referência às guerras no Iraque e Afeganistão.
Chávez ressaltou, por sua parte, que se Washington quer ser consequente deve extraditar ao "pai dos terroristas deste continente", Luis Posada Carriles.
"Lembramos ao prêmio Nobel da Paz (Barack Obama) que nos EUA está o terrorista que mandou pôr a bomba no avião da 'Cubana', matando seus 73 ocupantes, que também torturou e matou quando esteve na Venezuela", disse Chávez sobre Carriles.
Em repetidas ocasiões durante as mais de três horas que durou o ato, ambos denunciaram a que lhes "atacam", em clara alusão aos Estados Unidos, ao que se referiram como o "império ianque", e afirmaram que a colaboração de seus países está a "serviço do povo".
Acordos bilaterais
No ato ambos dirigentes presidiram a assinatura de doze projetos em áreas energéticas, de transporte e moradia, entre outras, após manter uma reunião a portas fechadas de mais de três horas.
Chávez indicou que já existem 129 projetos de cooperação bilateral e que se avaliaram outros 68 nas últimas semanas.
O presidente venezuelano afirmou que a revisão desses projetos é muito satisfatória e que se estão "apresentando resultados" nesses programas destinados a "consolidar" a "independência política, cultural, científica, econômica" dos dois países.
Durante o ato, os presidentes seguiram transmissões ao vivo para presenciar uma entrega de casas construídas com a cooperação iraniana e a inauguração da sede em Caracas de um Fundo bilateral destinado a financiar os projetos conjuntos.
Está previsto que a entidade alcance um capital de um bilhão antes que finalize 2010, fornecido em partes iguais por ambos países.
Calorosa recepção
Ahmadinejad, que chegou na noite de terça-feira à Venezuela, participou da reunião com Chávez no Palácio presidencial, nesta que é sua quarta visita a Caracas desde que chegou ao poder em 2005.
O governante venezuelano deu uma calorosa recepção ao que, além de "irmão", chamou de "gladiador das lutas antiimperialistas" na cerimônia de recebimento na sede presidencial.
"A pátria de Bolívar te dá as boas-vindas a ti e a tua esposa", manifestou Chávez, que expressou sua satisfação pela atual viagem sul-americana do dirigente iraniano, que lhe levou ao Brasil e Bolívia.
O governante venezuelano, cujo país não mantém relações com Israel desde o mês de janeiro, também denunciou o "braço assassino do império", ao referir-se a esse país.
Chávez reiterou suas críticas a seu colega israelense, Shimon Peres, por haver afirmado que ele e Ahmadinejad "em breve desaparecerão", disse que o tomava como uma "ameaça" e se atuaria "em consequência".
A visita do presidente iraniano suscitou diversas reações de protesto na Venezuela, onde grupos de estudantes e políticos opositores expressaram sua rejeição pela presença do governante, ao que acusam de "ditador" e de discriminar às mulheres.

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