segunda-feira, 26 de outubro de 2009

RIT – Rede Integrada de Transporte e Vitória da Conquista

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Por Francisco Silva Filho
Curitiba – PR



A RIT é o complexo sistema de transporte urbano adotado desde o início da década de oitenta pelo governo curitibano, sob a batuta do engenheiro, paisagista e urbanista Jaime Lerner. Como é que funciona a RIT? – Funciona sob o comando da URBS – Urbanismo da Cidade de Curitiba, onde, são estabelecidas as diretrizes, classificando os bairros periféricos e dotando-os de ônibus alimentadores e de comuns. Os alimentadores cumprem a função de transportar os passageiros dos bairros mais distantes ao terminal de ônibus mais próximo, facilitando o fluxo desses passageiros aos ônibus expressos assim como, aos ônibus da categoria “Ligeirinhos” que, tem os mais diversos destinos e, o principal desses, o centro da cidade.
Os ônibus alimentadores são classificados em simples (70 passageiros, com duas portas; com 80 passageiros, com três portas), e os articulados (160 passageiros, com cinco portas), todos na cor laranja. Também, cumprem função de alimentadores, os ônibus tanto simples quanto articulados, que são classificados como os ônibus “interbairros” todos na cor verde. O sistema interbairros, não tem destino ao centro da cidade; eles fazem as linhas envolvendo os bairros que se situam entre as duas pontas da cruz a que foi delimitada a cidade; para entender, a cidade está cortada em cruz pelas canaletas dos expressos. Por exemplo: destino do Bairro Pinheirinho até o Bairro Santa Cândida que conta com 38 Km de canaleta de via expressa, compreendendo sentido sul ao norte; o destino do Bairro Campo Comprido até o Bairro Centenário que tem extensão de 40 km igualmente de via expressa em canaleta, compreendendo sentido oeste ao leste. Portanto, as pontas da cruz que são unidas pelos ônibus interbairros são: oeste/sul – oeste/norte – norte/leste – norte/sul – leste/sul. Ficando assim denominados: Interbairros I, II, III, IV e o Interbairros V que faz o círculo da cidade pelos chamados bairros do centro.
Os ônibus da categoria “ligeirinhos” que são na cor prata comportam 110 passageiros, tanto são ônibus alimentadores, de conexões, assim como, finalistas em si; tem ponto de partida e ponto final. Assim como os ônibus expressos, cuja cor é vermelha, com capacidade de 270 passageiros, os ligeirinhos têm as suas estações tubos específicas com distâncias entre elas de 1,5 km a 3,0 km. Os ônibus expressos, sempre estão viajando dentro das canaletas que, hoje na cidade de Curitiba conta com 90 km de vias expressas.
Todo esse complexo de ônibus, que se interligam em estações tubos ou terminais, tem uma particularidade que deixa os visitantes com alguma interrogação; a saber, os ônibus da classe alimentadores têm bilheteria e catraca, neles, há cobrador/trocador, dessa forma, há manipulação de numerário pelo cobrador, assim como, nas estações tubos e terminais. Entretanto, nos ligeirinhos e expressos não há catraca e nem cobradores; no caso dos ligeirinhos os passageiros pagam tarifa, se não tiverem cartão transporte, nas estações tubos ou nos terminais caso eles originem ali as suas viagens; nos expressos, da mesma forma.
A principal e grande idéia da RIT idealizada pelo Jaime Lerner foi e continua sendo a forma de administrar o sistema. Em Curitiba, há 30 (trinta) empresas que compõem o sistema, integral ou parcialmente; o que causa surpresa, é que nenhuma dessas empresas tem uma tesouraria ou setor financeiro que recolha a féria do dia. Os ônibus que são os alimentadores, nos seus percursos recebem o pagamento da tarifa dos usuários; cada cobrador no final do seu turno de trabalho, ao deixar o serviço no seu terminal de destino, presta conta ao funcionário da URBS, que recolhe a féria daquele turno. A URBS, na realidade é, como na nossa Vitória da Conquista, a nossa EMURC com um universo de atribuições, dentre elas, a de administração gerenciamento do sistema de transporte coletivo urbano. Hoje, o sistema de transporte coletivo curitibano e região metropolitana que também faz parte do sistema transportam diariamente 2,3 milhões de passageiros, gerando uma movimentação financeira mensal de aproximadamente R$ 150 milhões; a URBS é a responsável pela distribuição equitativa e relativa à participação de cada empresa envolvida no sistema da RIT.
As empresas que compõem o sistema, diante do bilhete único, não estão se importando em receber sem contraprestação do passageiro que saiu, por exemplo, do ônibus da Empresa Nossa Senhora do Carmo e que entra no ônibus da Empresa Colombo. Essa equação é resolvida para cada empresa, segundo os kilômetros rodados no final do mês. É evidente que, cada empresa roda mensalmente aproximadamente a mesma quilometragem; tendo cada uma delas um chamado roteiro crítico, médio e especial, para que, não haja entre elas o sentimento de favorecimento em detrimento de outra.
O nosso transporte coletivo aí em Conquista, para se adequar ao sistema de bilhete único, terá, necessariamente, se quiser atender adequadamente à população e empresas de transporte coletivo urbano que mudar radicalmente o sistema na nossa cidade. Seria, no melhor entendimento, um sistema misto; a estatização administrativa do sistema pelo poder público por sua EMURC – que deverá passar por uma reforma total e de adequação – e a prestação de serviços por seus concessionários que são as empresas que deverão estar devidamente homologadas após o devido processo licitatório. Pois muito bem, depois dessa minha breve exposição latu sensu sobre o sistema de transporte curitibano, estará o nosso município preparado para implantação de um sistema minimamente parecido?

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