sábado, 22 de janeiro de 2011

Brasil, terra dos computadores zumbis

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Ana Carolina Prado 22 de janeiro de 2011
Você já deve ter ouvido falar que o Brasil está se tornando um rei do spam. Pesquisas têm mostrado um crescimento assustador do número de spams supostamente originados em redes brasileiras. Um relatório divulgado neste mês pela Sophos, empresa de controle e segurança de TI, mostrou que o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking de países que enviam o maior número de mensagens maliciosas no mundo, com 5,04% delas. O primeiro lugar está com os Estados Unidos (18,83%), seguido da Índia (6,88%). Mas é bom deixar claro que esses não são necessariamente os onde estão os responsáveis pelo spam – eles só os enviam por meio de computadores zumbis, máquinas infectadas que agem sob comando dos cibercriminosos.


A Campus Party tem um palco só para tratar de temas como esse, na área de Segurança & Rede. Conversamos com o analista de segurança da informação Hermann Wecke, que apresentou a palestra “Brasil: o Rei do Spam?” para entender qual o motivo desses números e o que podemos fazer para proteger nossos computadores.

Hermann durante palestra na Campus Party

Por que a quantidade de spams enviados tem crescido no Brasil?
A principal razão pode estar relacionada com os computadores zumbis, que são máquinas infectadas via e-mail, peer-to-peer ou websites que passam a ser cotrolados remotamente, sem que o dono saiba. O controle desses computadores é feito por redes externas especificas de quem faz o envio de spam e eles usam o Brasil como base para encaminhá-los. As estatísticas mostram que a Índia tem o equivalente a 5% de todos os computadores do país infectados por zumbis, e o Brasil tem 2%.

E qual o motivo do crescimento do número de computadores zumbis?
A porcentagem era menor porque a quantidade de pessoas com acesso à internet também era menor. Uma das coisas necessárias para que a máquina seja infectada é o acesso de forma continua à internet, que só veio com a disseminação da banda larga. Uma pessoa que sai para trabalhar e deixa o computador ligado para baixar algum arquivo pode acabar virando vítima de pessoas que passem a controlar a máquina remotamente. E, na Índia, a maioria das pessoas lá não tem acesso a antivírus e a softwares mais eficientes que sejam menos vulneráveis a um ataque.

Que tipo de spam é mais comum no Brasil?
São aqueles que vendem produtos farmacêuticos, principalmente pílulas contra a impotência sexual. Analgésicos também. Mas nem sempre o spam é direcionado ao Brasil: muitas vezes está só de passagem para ser reencaminhado ao exterior. Por aqui, o mercado principal para golpes é o phishing – o roubo do número de cartão de credito ou informação de conta bancária.

Como o golpe dos medicamentos funciona?
Os golpistas vendem um produto falsificado na tentativa de fazer com que a pessoa passe os dados do cartão de crédito. Eles podem efetivamente mandar algo pela internet, mas é algo que não cumpre o prometido. Geralmente são oferecidos produtos que você não pode comprar no balcão da farmácia porque requerem uma receita médica. Ou seja, esse grupo quer vender a facilidade da aquisição de um produto controlado.

O que podemos fazer para nos proteger?
Primeiro, as pessoas devem ter um antivírus eficiente e atualizado. Segundo, é preciso ter consciência de que não se pode acreditar em tudo o que vem pela internet. É muito fácil receber mensagens falsas que ocultem a tentativa de roubar dados pessoais.

E o poder público pode fazer alguma coisa para impedir a disseminação de spams?
Esse é um problema complicado. A única coisa que poderia ser feita nesse caso é tentar prender o spammer que está no Brasil usando as leis que já existem. Isso é feito de forma muito devagar, o que dá a sensação de impunidade.

Há algo que podemos fazer caso recebamos um email com spam?
Você pode encaminhar a mensagem para seu provedor, que possui canais de reclamação para onde é possível encaminhá-la. Se quiser colaborar ainda mais, você pode encaminhar para o spamcop.net, um serviço que irá se encarregar de enviar o spam para o seu provedor de origem. Essa é uma empresa comercial baseada nos EUA que não cobra nada para fazer isso.

Você acha que é possível vencer a luta contra os spams?
A luta contra o spam é uma batalha inglória. Você nunca irá vencê-la. No máximo, pode diminuir a quantidade de mensagens enviadas, mas elas nunca vão acabar. O spammer é como um viciado em drogas. Ele sempre vai arranjar um jeito para burlar o sistema para continuar fazendo o que faz.

Foto: Marina Piedade
DA SUPERINTERESSANTE

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