quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Início das investigações impede revelação dos nomes dos 4 PMs reconhecidos por vítimas

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do A Tarde
César Nunes (ao centro), secretario de Segurança Pública, lidera a força tarefa da SSP em ação em Conquista
Quatro policiais militares foram reconhecidos por pessoas que asseguram ter testemunhado assassinatos e sequestros ocorridos durante uma operação da PM em represália à morte do soldado Marcelo Márcio Lima Silva, 32 anos, no mês passado, em Vitória da Conquista (a 509 km da capital).
Os quatro foram identificados em autos de reconhecimento realizados nesta quarta à tarde, no município, com a presença da cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e de promotores que integram a força-tarefa do Ministério Público (MP), designada para investigar o caso. As autoridades não revelaram nomes dos PMs, tampouco confirmaram se irão solicitar prisão cautelar deles.
Os autos de reconhecimento foram iniciados no início da tarde, no Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep) de Conquista. A promotora pública Ana Rita Nascimento, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), levou pessoalmente as testemunhas à unidade para realizar o procedimento de identificação, na presença do secretário da Segurança, César Nunes.
Parentes das vítimas e testemunhas já tinham revelado os nomes dos militares em depoimento ao MP, mas faltava ser realizado o reconhecimento legal. Os suspeitos foram colocados lado a lado numa sala com espelho mágico, onde as testemunhas enxergam os suspeitos sem serem vistas. A imprensa não teve acesso.
Após cerca de uma hora, César Nunes e a promotora Ana Rita anunciaram que quatro PMs tinham sido reconhecidos. Os delegados Gabriela de Diego Garrido e Ricardo Húngaro, ambos de Conquista, lavraram os autos de reconhecimento.
Sigilo - O secretário disse que não iria revelar nomes nem patentes dos PMs identificados, pois os autos de reconhecimento são apenas o início das investigações e ainda será necessário novas diligências. “Nós não vamos identificar ninguém ainda porque é uma primeira diligência, faz parte de todo um apanhado e ainda temos muito caminho para andar”, argumentou Nunes. A promotora também se negou a dizer o nome dos policiais: “Não posso irresponsavelmente dar nomes agora, por causa da comoção gerada na cidade, no Estado e até nacionalmente”.
Ana Rita não quis informar se pretende solicitar à Justiça a prisão dos PMs, porque um dos reconhecidos poderia tentar fugir, destruir provas, ameaçar testemunhas. “Seria um equívoco dizer que vamos pedir a prisão, pois um desses envolvidos pode se sentir um pouco mais acuado e empreender fuga, destruir provas, ameaçar testemunhas”, ela justificou.
Apesar de as autoridades não terem revelado o nome dos PMs reconhecidos como autores dos crimes, fontes na polícia informaram a A TARDE que eles pertencem à mesma turma do soldado Marcelo Márcio, lotados no 9º Batalhão da Polícia Militar.
Esses policiais teriam ficado mais revoltados porque possuíam um vínculo de amizade com o PM morto, e resolveram vingar a morte do colega. Os quatro identificados estariam há cerca de dois anos na corporação e nenhum deles seria oficial, assim como o colega morto.

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