sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA

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"Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém
andando sorrateiramente no quintal de casa.



Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham
lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.


Como minha casa era muito segura, com  grades nas janelas e trancas
internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu
não ia deixar um ladrão ali, espiando tranqüilamente.


Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.


Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por
perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse
possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não
precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta
calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro
fez um estrago danado no cara!


Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da
polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a
turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste
mundo.


Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara
de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.


No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
-Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.


Eu respondi:
- Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível."

Luiz Fernando Veríssimo


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