terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Depois do coração e pulmão, agulha ameaça medula de Márcio

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Alexandre Lyrio | Redação CORREIO

Dia após dia, o pequeno Márcio, de apenas 2 anos e 7 meses, se depara com um novo desafio. Depois de superar uma cirurgia de mais de cinco horas, na última sexta-feira, quandose livrou de quatro das 31 agulhas inseridas no seu corpo pelo próprio padrasto, o garoto agora tem a coluna colocada em risco.
Segundo disseram na segunda-feira (21) os médicos, um dos dois objetos metálicos que ameaçavam a cervical já atinge a medula. Está transfixada entre a quarta e a quinta vértebras. A outra passa rente à coluna e não representa maiores riscos.
“A essa altura, uma pessoa normal poderia estar com uma lesão neurológica grave. Mas se trata de um menino de 2 anos. Parece que a sorte também está atuando do nosso lado”, disse Roque Aras, diretor médico do Hospital Ana Néri, onde Márcio está internado desde o dia 17 de dezembro. Por enquanto, apesar da agulha cravada na medula, o garoto não desenvolveu qualquer dificuldade de movimento ou problema motor.


 

Médico diz que sorte está ao lado da criança submetida a ritual macabro




Avaliação
A cirurgia para a retirada do objeto está praticamente confirmada, mas só deverá ocorrer na semana que vem. Os médicos ainda avaliam o procedimento. Roque Aras disse que especialistas daqui consultam, inclusive, médicos de outros países sobre o caso. Apesar de se tratar de um local complicado, no que diz respeito aos riscos, o médico tranquiliza a todos quando fala da cirurgia. “A retirada não é tão difícil. É uma neurocirurgia simples”.


Mas, antes de sofrer intervenção na coluna, Márcio passará por cirurgia na região do abdômen. As agulhas que atingem bexiga e intestino provavelmente serão retiradas nessa quarta-feira. Quanto ao objeto metálico que está no fígado, os médicos ainda não decidiram o que fazer. Márcio está na UTI com mais quatro crianças, numa unidade que tem capacidade de receber oito.


Problema superado
Coração e pulmão de Márcio estão bem. Um ecocardiograma indicou que o músculo cardíaco reage normalmente à cirurgia de sexta-feira, quando o coração do garoto teve que ser retirado do corpo por alguns instantes. No lugar do órgão, uma máquina bombeou o sangue. “O coração é um problema superado”, disse Roque Aras.


O tratamento com antibióticos é mantido, explica o médico, por causa das infecções causadas pelas agulhas no pulmão e coração. “A infecção existe, mas ele reage bem aos antibióticos”. Na segunda-feira (21) pela manhã surgiu a informação de que o pai biológico do garoto chegaria à tarde, o que não se confirmou. Segundo os médicos, Márcio continua muito assustado e pede muito a presença da mãe. Todos os dias, ela é autorizada a ficar com a criança a partir das 11h. O menino também pede pra assistir desenhos animados na TV, sua única distração, além de um carrinho de ferro que foi dado pela equipe de fisioterapia do hospital.


Ritual
Era na casa de Angelina Capistana Ribeiro dos Santos, apontada como amante do padrasto do garoto, Roberto Carlos Magalhães Lopes, que o ritual de espetar o corpo da criança com agulhas era feito há quase um mês. Em depoimento, o padrasto confessou introduzir de três a quatro agulhas por sessão.


Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, confessou que a intenção era mesmo matar o garoto. “Eu brigava demais com a mulher. Passava 15, 20 dias de mal. Aí começava a fazer essa palhaçada besta de matar o menino”.


Três acusados têm a prisão prorrogada 
Venceria na segunda-feira (21) o prazo determinado para a prisão temporária dos acusados pela barbárie. Mas o juiz plantonista da vara crime da comarca de Ibotirama, Antônio Marcos Tomaz Martins, acatou o pedido do delegado Helder Fernandez, responsável pelas investigações, e prorrogou a prisão.


Ficam presos por pelo menos mais cinco dias o padrasto da criança, Roberto Carlos Magalhães Lopes, sua amante, Angelina Caspitana Ribeiro dos Santos, e a mulher que se diz mãe-de-santo, Maria dos Anjos Nascimento. O delegado justificou a prorrogação das prisões por considerar que “o caso é muito complexo e o tempo foi insuficiente para delinear a participação de cada um”.

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