do A Tarde
Roberto Maia, presidente da UPB e prefeito de Bom Jesus da Lapa
O presidente da União das Prefeituras da Bahia (UPB) Roberto Maia
revelou, nesta terça, 17, que mais da metade das 417 prefeituras do
Estado está sem condições de pagar o 13° salário do funcionalismo cuja
primeira parcela, por lei, precisa ser depositada até 20 de novembro,
sexta-feira. Isso representaria cerca de R$ 6 bilhões a menos para
irrigar a economia baiana neste final de ano. O problema, conforme
Maia, é reflexo da queda de receita dos repasses federais em função da
crise econômica internacional. Mais de 80% dos municípios baianos têm
nos repasses constitucionais as únicas fontes de renda. A situação foi
exposta ontem, em Brasília pelo dirigente, na reunião do Conselho de
Assuntos Federativos do Ministério das Relações Institucionais,
presidido pelo ministro Alexandre Padilha.
Um dos baques mais sentidos pelas finanças dos municípios ocorreu
com a redução das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Básico e de Valorização do Magistério (Fundeb) destinado pelo
Ministério da Educação para as prefeituras. O valor estipulado em 2009
por aluno matriculado nas escolas municipais baianas foi de R$ 1.350.
Contudo, informou Maia, em setembro, o ministério resolveu recalcular
este valor em função da queda na arrecadação e o reduziu para R$ 1.210.
O pior é que a União passou a cobrar
das prefeituras os valores pagos a mais durante todo o ano. “Isso foi
fundamental para piorar a situação que já era ruim”, disse Maia,
admitindo que a maioria das prefeituras baianas está descumprindo um
dos itens mais importantes da Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF), a
que regula o pagamento dos servidores municipais.
A LRF determina o limite de 54% da Receita Corrente Líquida das
prefeituras para a folha de pagamento, mas este percentual foi
ultrapassado pela maior parte dos municípios. “A conta é simples:
diminuiu nossa receita e aumentou nossa despesa”, sintetizou, lembrando
que o aumento do salário mínimo (valor recebido pela maioria dos
servidores) este ano foi de 11,5%. “As prefeituras são as maiores
empregadoras da Bahia, com um total de 480 mil servidores. Qualquer
aumento salarial tem um impacto enorme e se não houver um aumento
compatível de receita os municípios quebram”, declarou.
Conforme Maia, o quadro foi mostrado ao ministro Padilha que ficou
de apresentar alguma solução. Uma das reivindicações seria a manutenção
no valor de R$ 1.350 por aluno do Fundeb.
Outra estratégia, tentada através do senador César Borges (PR-BA) é
a apresentação de projeto visando flexibilizar a LRF, excepcionalmente
este ano, devido à crise econômica, mas a proposta encontra resistência
do próprio Palácio do Planalto. A UPB teme que a situação possa ficar
insustentável para as prefeituras a partir de janeiro quando o salário
mínimo passa dos atuais R$ 465 para R$ 509. “Se não houver algum tipo
de aporte as prefeituras baianas não vão conseguir pagar este salário”,
avalia Roberto Maia.
Cálculo – A proposta de César Borges prevê que os
limites estabelecidos na LRF este ano sejam determinados na proporção
da frustração da receita estimada. O percentual seria calculado pela
divisão entre a receita realizada e o valor previsto no orçamento. O
senador ponderou que, sem socorro, “os municípios terão que cortar
custos, seja demitindo servidores ou reduzindo a oferta de serviços
públicos”.
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