Por Afranio Garcez – Advogado
Depois que li emocionado o que vem acontecendo com o acervo deixado pelo saudoso Cajayba, resolvi escrever um pouco a cerca desta personalidade, que foi um homem humilde, viveu na pobreza material, e deixou um grande legado para a nossa cidade e nossos filhos, que hoje está lá no alto da Serra do Peri-Peri abandonado. Cajayba era um autodidata, músico, que gostava de tocar violão, e acima de tudo um grande e genial escultor, que costumava usar em suas esculturas, muitas das quais retratam vultos da nossa história, apenas a areia, ferro e o cimento. Seu verdadeiro nome era Aurino Cajayba da Silva, pessoa dotada de rara sensibilidade, e adorava viver no local onde denominávamos do Museu do Cajayba, numa extensa área de mais ou menos quase 2.000 metros quadros, e de onde se avistava toda a nossa cidade. De lá do alto, nas noites frias do inverno inclemente, ou nas noites quentes do verão ameno que era as condições climáticas dos anos 70 e 80 de nossa cidade, ele via esta cidade crescer diuturnamente.Era um homem, onde para quem possuía a paciência de escutá-lo, demonstrava certo conflito interior aliado com a decepção e o desespero que podem ser vista em suas obras. Também gostava e era um poeta de cepa, mas adorava o silêncio. Quantas vezes foi manchete nos principais jornais da Bahia, como os extintos jornais “Diário de Notícias, e Jornal da Bahia, além dos jornais Tribuna da Bahia, e A Tarde, e todos falavam a cerca de sua obra que era e ainda é admirada por muitos que ainda se lembram, ou que costumam ir lá ao alto da serra. Ao que se sabe nunca estudou em escolas regulares, mas dominava diversas áreas do conhecimento intelectual, como a história, a botânica, que por sinal do meu ponto de vista, foi ele o primeiro ambientalista e ecologista militante de nossa cidade, pois fazia questão absoluta de entre uma e outra escultura que surgia de suas hábeis e calejadas mãos, via-se também, os cactos denominados de “cabeça de frade, crotus e tantas outras espécies naturais de nossa biodiversidade. Era ao mesmo tempo paciente e agitado, e fazia questão de dizer para aqueles que o escutava, o seu encantamento e ternura com que falava de Deus, e de tudo que nós proporciona no dia a dia. Cajayba foi e é ainda um ícone da arte não somente em nossa cidade, mas também na Bahia, onde na capital do Estado possuía diversos admiradores, principalmente na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Foi um homem que viveu sob o manto das estrelas. Possuía 8 filhos sendo o mais conhecido para nós, o mais velho de nome Antonio Vibaldo, que reside na cidade de São Paulo. Faleceu nesta cidade, precocemente, nada deixando de bens materiais, ou riquezas, apenas o seu legado, que hoje se encontra abandonado lá no alto da serra. É preciso urgentemente, que entidades governamentais, ou não, adotem uma posição para a preservação, e até mesmo restauração das inúmeras peças e esculturas que deixou.
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